28.7.17

irresolvível desejo ou qualquer coisa de sonho

"há uma filosofia...

depois de muito, despertar ensopada sem febre, ou febrão, dos momentos pontuais. 

qual fome amena saciar com liquido envelhecido no criado mudo, talvez chá já esquecido, talvez erva de são joão e camomila, ainda possível distinguir uma florzinha do fundo arranhado da caneca. levar tempo desmedido rememorando cada verso, reconhecer em poética um histórico de gozos esparsos.

acordar ensopada como houvesse me surrupiado a madrugada aquela paixã, pássaro em voo suave pela fresta da janela, um suspiro tão não meu e, ainda sim, eu todinha, sem estranhamentos.

...do 
quem nunca comeu...


perceber que conforme o ar me saí a memória se finca em território mais lúcido: regalo do inconsciente desvelando mistério d'água. entre o onírico e o ancestral, gosto de maboque sob as unhas, mas não todas, somente as minuciosamente lixadas. todas las demás, irregulares, conservando alguns pontículos d'areia, qualquer coisa de mar, como houvesse atravessado a madrugada com mãos enfiadas nas margens da praia do bispo ou do rio paraguaçu.  

....tem 
por resolver...


navegando entre sinestesias e marés, sempre lá a tua imagem, vivida, corporalidade em movimento sinuoso que não deixa saber se é pra mim a direção da dança, serena, sereia, num canto que arrasta sem alcançar de facto, desmistifica enquanto sobrepõe miríades de mitos, ritos e confissões outras. diálogos em linguagem de duplos que pedem calma e funduras.

depois de tanto, de repente não ressequida. despertar com ligeiros espasmos no além dos cordões que sustentam essa embarcação, sem saber ao certo qual foi a narrativa dessa foz.

permanecer na manhã,  em tua breve lembrança, num sabor de fruta encharcada na palma d'um sonho bom.  


...problemas difíceis
da líbido"
paula tavares | maboque

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