9.11.16

[..]


e a gente sorri, ainda.

sem alienação e sem saber direito porque.

vamos envergando os músculos ao redor dos lábios até formar um esboço. algo meio amarelado, meio máscara de rosto, para não sucumbir mesmo, modo torto de reter o elã na curvatura.

a gente sorri, mas não para de ferver nos adentros: frames, instantâneos, nem um punhado de ficcção.

e a contagem segue seu cortejo decrescente: menos uma mulher, menos um negro, menos um/a camarada, menos um movimento social, menos sobre menos na soma do absurdo.  

e, então, a gente gargalha.

dentição exposta.

- sal, sangue & pus - 

a gente engasga no meio do riso enérgico. único descontrole vazante.

as mãos trêmulas buscam impedir o jorro, o vômito: a agudez do urro se entrecorta pela palma-fria.

e voltamos à risadagem, contando, contando na matemática inflada dos machismos, racismos, classismos, lgbtfobias, xenofobias...ias...e..vai...de novo:

1
2
3
4
5
e mais

amanhece e reciclamos os números.
[mas os corpos são sempre os mesmos]


riso
e
respiro. 


espasmos ressoados das valas esparramam existência na cidade:
adentro-afora.

fôlego finda-por fim.

a expressão torpe segue contando.

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