20.10.16

tempos de colheita II

A Alessandra Almeida

o coração ocupa o todo

e o clichê, eu sei,
não me salva.

(ai)

os dedos não obedecem
proteção-silêncio,
minha irmã.

eu bem tentei

resguardar
palavra

secar suor

calar o verbo

acalantar
peito-nu

com ouvidos
em conchas.

mas era língua,

poesia ardendo
reverberação,

mas era coração
o tudo!

e o tudo
chamamento
de mar.

e à convocação
das águas

tu sabe,

a gente sempre
responde...

inda que
perigue

naufrágio.

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