17.10.16

tempos de colheita I

com o pensar no menino manoel & seus barros
.
na boca da chuva,
ônibus lotado.

meia-volta
pelas porteiras
farpadas.

café coado
em mãos de pai:

que é
pr'amansar
a espera-larga,

o irrequieto.

um colibri pousou
na escada apoiada
em ferro de antena.

daqui do alto
só vejo
as patinhas de
brisa

enlameadas

mordisca meu
cadarço,

em minuciosa tarefa.

a vó
rememora,

desenreda-se
em cada dobra
da língua.

aqui
faço-me toda
escuta-tacto

ritos
anteriores
ao bruto
retorno.

chão de fábrica,
sem bucolismos.

mas, ah....
como naquele conselho:
"o depois é o depois".

por hora;
aromas esverdeados
orvalham em mim.

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