1.10.16

depois da multidão.

silêncio.

ninguém alcança o corpo-
casulo entre lençóis.

é hora da troca.
pôr pra lavar manchas
e suor.

o cotidiano depois
da turba.

silêncio e gestos.

ninguém vê a adivinha
na sutil tremulação
dos lábios.

ninguém desvela
o mistério por dentro
da garganta.

suspiro.

camisolas e vestidos
estrangeirizam-se
no canto do quarto

aguardam vez para
o toque
o encharque.

a cama em nua
espera

espreita o
guarda-roupas
que não se move.

eu,
depois da multidão.

silêncio.

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