2.8.16

para sobreviver a morte vagarosa das pulsões, a trabalhadora e o trabalhador:

1 - escolhe para despertador a música favorita, esquece que não vai tardar em torná-la repulsa.

2 - toma café recém-feito ou requenta os dois dedos que sobraram na cafeteira de ontem, que é pra não atrasar ainda mais.

3 - aproveita os minutos até o metrô para contemplar as portinholas antigas e as árvores descoloridas, mas têm dias que só possibilita as sinapses comandarem o corpo-mecânico.

4 - faz de qualquer faísca desinvento, engodo de labaredas que não ultrapassam o devir.

5 - traz a luta à ponta do verso escondido, na conversa de dois-minutos na máquina do café, no trato, no enfrentamento esparso, no desanuviar. (mas, é preciso deixar o corpo-combate para depois de bater o cartão).

6 - para não implodir, ou entregar-se a fáceis provocações e desatinos, verte lágrimas quentes contrastadas com o piso frio do banheiro (ninguém ouve seus soluços, ninguém se apercebe dos olhos vermelhos).


para sobreviver, subvive.

e repete, a todo instante, que a luta é não deixar-se naufragar na pasmaceira do niilismo.

[tão convidativa, meu bem.]

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