13.8.16

okê arô

peço licença às minhas ancestrais!

colho com unhas vestígios
telúricos

acaricio a memória,
seus sinais de suor
e sangue

- pedrinhas percorrendo falanges -

eu peço licença
& elas me acompanham

travessia de múltiplos pés
seja barro ou deserto
de piche

- os panos, águas, óleos, folhas,
ritos que se fazem presentes,
repetem / significam -

o piano, o tambor
tudo-junto
pode?

enredo nas matas
eu, elas

o beijo de oxossi
nos focinhos farejantes
dos cães de meus pais

estes olhos-lupas
perscrutam
trás à objetiva

buscam quê?

visão-caleidoscópica:

cada passo um mover de
estilhaço

cada lasca de vidro
o olhar d'outro povoando
meu.

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