16.8.16

expurgo

então, a senhora
com voz meio falha 
prediz: 

se não perdoar tu vai ter um 
câncer 


logo pra mim, logo eu,

a hipocondríaca, a da síndrome-do-pânico

minha senhora, veja bem o interlocutor...


não choro.



surpreendo-me com
a racionalidade,

deixo estar: a vida.

deixo estar: a cólica

essa dor forte é passado não resolvido
energia carregada d'um homem

como é a relação com teu pai?
teu patrão?
e aquele namorado?


[ o da puta, o do mijo, o do cheiro.


// esfrega, esfrega a bucha, ô moreninha]


eu não o perdoo

digo, é evidente,

olhos inda sem marear.

é uma escolha,
mas a energia ficará aí


o perdão é teu

expurgar o que não
te-presta

[decisão impulsiva
é reter.

fios tautológicos,
autodestruição]

o sal, pois, veio:
imiscuindo-se na
estafa-estanque.

versejo, afinal, pra romantizar

o grotesco?
pôr alvorada na violência?

rio do absurdo.


mais justo é tiro de bala

poema-disparo
pronunciar o engasgue

perdão que construo

enquanto acaricio meu ventre

a minha morte

eu não te dou.

é isso que o verso diz.

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