28.7.16

Ritos de fagulha


acesa madrugada:

deserto de cômodos,
abismos n'entre corpos,
solitude em quatro-oitavas

violão ressoando 
pingos d'silêncio

na televisão 
sequências em preto
& branco,

tracejos d'mim
formam clichê noir
de fumaça
fagulha, imagem

alheia,
vasculho

trocados d'ontem
bolsinho rasgado

escrituras do poeta 
que diz

ainda que a vida...
apesar da vida!

das paredes
reflexo-lume
vagueia copo, 
cachaça e mel

desordem
tão minuciosa
pra flanar a língua

ritos de
desadormecência,
é disso que se.

partilho
alheamentos

vizinhos
seus roncos

cachorros contêm
sussurros-ladram

acesa, acendo
movimento
dedo-disparo

guimbas pela
janela

um homem
e seu cão

a rua tão fria

acendo
acentuo o rito

boto importância
qual fosse
segredo

a centelha
leva o tempo
d'uma vela.

Nenhum comentário: