29.4.16

[verborragias]

02 -


ainda sobre o tema, camaradas, quero soltar as rédeas das lógicas (nunca estive sequer próxima a elas, qualquer modo) e dizer desse desejo inundado que se desinventa em paragem. é pouso onde não se necessita alfândegas, passaporte, ou caretas em 3x4. 

o desejo é.

e disto eu quero o aquilo não apreensível. quero não compreender seu estado paradoxal. rompo as redes e sussurro: seja! morada e fluidez por dentro das carnes, ainda que a carne seja só sua e a d'outro (lugar, pessoa, coisa) simulação.

o desejo não comporta planificações.

não será, realmente, através de sua matéria que demarcaremos qualquer exatidão, nem serão os nossos encontros (cada qual com seu deseo) a acumularem-se em milhas pr'um próximo voo (o que é uma alegoria pelo próprio prazer - face alegre do desejo -  de fazer alegoria e, também, é já erro, pois o desejo, sabem todos, é bicho alado e assobio dos ventos por entre as folhagens, o sea, o próprio voo mesmo). 

o desejo de estar! é esse, por fim, que me toma. acopla-se na essência de pueril curiosidade e resulta em perscrutação sobre lugar-estirpe de desterro (e aqui temos outra contradição, vejam só). 


o desejo ri-se desse blablabla hermético. ri porque sabe do que digo. ri porque não cabe segredos entre nós.

o desejo me olha nos dentros dos adentros. 

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