29.4.16

[verborragias]

diz-se: não escrevo do que não conheço. compreendo, mas, e aquilo que conhecemos nos abismos do desejo?

certo "saber" é mais que o táctil, empírico, ainda que em alguns casos - acadêmicos, posicionamentos, lutas, lugar de fala, limites da alteridade, do outro, da nação do outro, do corpo do outro, e veredas deste porte - eu concorde e empunhe a frase também. mas, cabe a tudo? até na minha não-pretensa escrita literária? não sei. se digo dessas longitudes é porque sinto que fincaram bandeira em minhas subjetividades. falo de dentro das leituras daqueles que, de fato, estiveram, estão, são; e neste ponto me alembro da poeta a dizer-nos que a nossa poesia (amplio o sentido para poéticas, seja em quais formas forem) passa a caminhar pela d'outro, conforme as nossas leituras. e nossa poesia nada mais é do que o corpus do que sabemos de nós, cognitivamente ou não. 

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