18.4.16

poesia [des]adormecida em mim.

02 -

a contenda
está posta

ser-se

contra-fluxo
dos que se
esparramam
na noite

trôpega insônia

claudicando
alheios dormitares

guio-me
pela
mão-bussolar

sem-rosto
no seu próprio
rosto

acompanho
o lânguido mover
das falanges:

esticam manta
neste
desadormecer

e:

vem, 

madrugada,

no teu regaço
invento diálogos

mil línguas
vagalumeiam-me
por entre
a boca

escapuli
sussurro-canto

buscas por
um naufragar
kianda

/ desejos
oceânicos /

é o lamento do
mais-velho
que
se enreda
em minha escuta:


[ai se sesse,
sereia

seduzindo
os 
meus adentros

serenando
porta
pálpebras

entorpecendo
morna
rebentação

ai se tu...]


desligo o rádio

atenta refaço
as palavras

no entanto,

nada.

nada!

olhos-corujas
permanecem
em seu ofício

/ desinventam
avivamentos /

esqueço o mar
promessas de tantos
sonhos

aceito minha condição.

recosto na cama
suspiro-desperta

permito alvorada
arranhar-me a 
penugem

revisito as poéticas
e

vou

página
outra

a-voou

inesperado
desterro,

por fim.

mal se pode ver esta que dorme
sob os galhos do imbondeiro.

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