2.3.16

​o silêncio como matéria ecoada no despertar em chuvas.





Resposta a Ondjaki & Paula Tavares


perguntas-me do silêncio
eu digo

meu amor que sabe tu
do eco do silêncio
como podes pedir-me palavras 
e tempo

se só o silêncio permite
ao amor mais limpo
erguer a voz
no rumor dos corpos.
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Paula Tavares, 1999



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um só olhar
pode ser uma voz não dita.
para acumular dores
o mais das vezes
bastou um desamor.
sei: a solidão
ecoa de modo muito silencioso.
sei: muita silenciosidade
pode reciprocar
verdadeiros corpos num amor.
um só silêncio
pode ser nossa voz não dita
ainda nunca dita.
para ecoar um silêncio
bastou gritarmo-nos para cá dentro
num gritar aprofundo.
já silenciar um eco
é missão para uma toda vida:
exige repensação da própria existência.

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Ondjaki, 
que sabes tu do eco do silêncio?
[resposta a paula tavares]
2002

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