1.2.16

"na beira do mar chama ê o Iemanjá"

lenço amarrado mantendo a nuca livre para o beijo dos ventos que não se achegam, sua imagem evoca belezas e cansaço, o movimento é de lavadeiras na beira do rio, mas é o meio do tanque. há dança no movimento - sempre há - como seu corpo fosse a própria junção das ondas, vingança pelas praias que seus pés não hão de amansar tão brevemente. de longe, faço concha com as mãos suadas e deixo-me ir também, entreabro veredas para o espargir: é calmo esse instante. tiganá sopra uma brisa em meu ouvir pelas caixas de som do quarto, nada é a cidade agora, nada é o agora no tempo do mar, nosso sorriso é cúmplice entre tapetes encharcados.

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