7.1.16

dos segredos que recolho nos fiapos da madrugada.

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dar a ver o próprio desejo. é a frase que mais se repete nas minhas sessões. - pauso, tem um gosto doce meio ao que restou do álcool. goiabada. mas, e se eu der o nome dum corpo ao gosto? suspiro... - a escrita, a palavra, me é tão cara, o que recebo doutro e o ato em si; na tinta pressionada no papel, nos dedos acelerados no teclado. nem me apercebo donde batem as pontas, memória táctil até da tecla que se perdeu. a memória do tato também é a memória do desejo. a palavra é tão cara a mim, mas, às vezes, certo descontrole se faz senhor, despreza coerências & concordâncias, palavra escorrida, verborrágica. tudo bem, também, deixar-se ir dizendo. se é do desejo a ordem da fala solta. - pauso. fluxo de consciência. suspiro - vou claudicando entre o véu enevoado da insonia e o resultado amargo da ressaca. do excesso. desejo oceânico - pauso. pauso. essa cadência sonhada da voz. aquela frase que repete - sussurro. pauso. suspiro. - o cerzir delicado do desejo. cada volta da agulha na pele fina da querência. firmar o indizível numa colcha de retalhos.

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