10.12.15

.bells are ringing.

Os sinos da igreja. Não encontramos meios para despedidas, as malas sendo feitas no desmoronar das horas. Os sinos da igreja nunca vistos, apenas a torre alumiada pelo mecanismo do relógio, majestades falidas meio ao caos, me fixei nessa imagem enquanto perscrutava, de soslaio, seu perambular pelos rincóns da casa. Ainda hoje lembro as camisolas - velhas camisas esgarçadas - escapando pelo prolongamento do ziper, dando um tom de comicidade e drama (como um filme ruim, quase te ouvi). Fossem outros, que não nós, e eu desataria num riso debochado, afrouxaria estes botões, o nó da gravata, cadafalso azul-metálico (todo dia. sete da manhã, restos de pasta no queixo, as mãos no tecido vagabundo, olhos pétreos: armamos palanque, amor, mas o discurso...o manifesto...o urro prometido, nada, nada para além da guilhotina). Os sinos da igreja anunciando que só podia mesmo ser domingo; mas, não daqueles espreguiçados nos beirais, quando amanhecidos partilhávamos do sexo e do cigarro, lascas de manteiga e pão. Os sinos da igreja, pontuais, as mesmas músicas na caixa de som, você tão cansada e triste, os olhos fechados de sal. Eu, que só nos sabia lambendo estas feridas, me recolhi num descompasso tão próprio, que não foi possível alcance. O silêncio duro depois do sino, o sol em nossas peles cerzindo beijo e dor, ardura poluída, tu sem te mover, eu também não. 

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