7.11.15

.os títulos deram pra fugir de mim ou carta não pede nomeação e é por isso que endereço.

os sábados que vem como domingo, amor, é deles que busco fuga, mas resvalo tão forte que mal há tempo para prever o escorregão, uma fração e me vejo ali, pé esquerdo ao alto, a cabeça na quina da cama. os sábados que não descem como gole prazeroso, como resquício de sexta; conto as gotas e peço mais...é sábado, mas parece que minto quando digo em voz alta. a quem engano? quem me mente e furta? é dessas cartas que te falo quando lado-a-lado escolhemos não levantar a cabeça, nem pra puxar de volta o travesseiro - ou o braço que ficou lá lo...oonge, quase a cair do colchão - quando observamos cúmplices, e silenciosos,  a minúcia do avançar da aranha na lâmpada econômica. é uma narrativa endereçada, mas que não remete, desconheço o interlocutor, lanço os dados. me sinto n'uma cegueira branca, tento ajustar o despertador, mas ainda é sábado; tento escolher as roupas do escritório, que não há, antecipo a angústia onde só faz morada descanso. gosto de como soa a palavra amor entre as virgulas, é como acalanto, só que hoje me tocou qual realejo. ainda é sábado, é preciso um esforço mnêmico, a repetição quer dizer, então eu digo: ainda é sábado. abre o vinho, menina, coloca de novo a canção que não distingue o barulho das chaves da máquina que bate o cartão. deixa essa rima pueril ser, vai, associe, livre, livre-se, que esse sábado que nem é sábado, ainda é. 

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