3.11.15

.em busca d'um título que caiba no silêncio.

o tempo da palavra
seu repouso / meu hiato
ansiedade constante
do que se quer dizer
bem querer
que mal me quer,
é disso que se trata
o silêncio do verbo;
esse regaço
sem aconchego,
essa rede
sem balancear,
acordar em sopa
_e atrasada
e só lembrar
às três da tarde:
o pesadelo
o despertar
a mudez
o esquecimento,
desletrar-se
cavalgando
no destempo,
dialética
de temperaturas,
signos extremos
- enquanto semiótica
& astrologia -
que sim,
no abismo
entre o que e o
que eu disser
também cabe mapa astral
- e o teu tá todo errado -
mas a sentença não
se completa,
ficamos entre olhos
na contraluz da sala:
indolentes
e lânguidos;
teus dedos
nas cordas do violão
que não (me) dizem também;
a música,
qual palavras,
tem seu tempo,
e eu deságuo
na espera
d'uma frasezinha só
que seja toque
ainda que não
fale.

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