5.10.15

.me deixe cantar até o fim.

que o canto seja
a rouquidão de Elza,
e o rasgo-garganta 
mostre-se em sua 
potência-tudo,
nisto que nos eriça 
noutras partes que não 
pelo,
os próprios sulcos
o sal dos olhos

que nem se sabem mar, 
vertem sobre os rostos
baixo tardes simples,
entre goles de café
bitucas sobrepostas
nas janelas, pires
nos dedos trêmulos,
e um olhar que já
não mais visão,
muito além / 
enfim / em si
-

é na suspensão sonora,
o toque

vaga rememoração,
velhos retratos

é no que me diz
é no que me faz 
identidade
cantada

é no canto do fim do mundo
numa esquina
num acorde

é na aresta que 
largo a sujeição,
não atendo mais
ao que me clama
nódoa

saber-se
toda-cor.


[e toda-luta]



Um comentário:

Daisy Serena disse...

http://www.naturamusical.com.br/jplayer/13680