2.10.15

.isto não é um título (no hay banda).

há o ímpeto, quase regurgitar. o amargor alcança-me a garganta e retorna como úlcera ansiosa, impotente, quero dizer mas não banco a fala, temo que nela venha vísceras, que o jorro não dissipe depois do espasmo primário. então é assim que é não dar conta, afinal. rio dessa piada interna e triste, rememorações, fungadas que eriçam a penugem do braço rente ao rosto, então é assim. 

avanço as páginas finais do livrinho de Ondjaki, degusto, devoro e temo; tudo me toca e reverbera, palavras morte, palavras encontros, palavras chuva - tanta chuva, meu deus! - e, enquanto leio mais um espargir, os cheiros das águas vindouras rebatem-se entre meu corpo e os degraus, impulsionam meus passos, bambeiam-me os olhos, vagueiam um existir.   

isto não é diário, nem correspondência, não ponho destinatário [nem destino, a saber]. ainda que possa me enveredar por Séneca, deixar que cada parágrafo esvazie um tanto do desejo, fazer uso dos significantes como proteção. isto não é nada disso, isto não sou eu.




[mas, se é pra deixar vir: bem desejo o naufrágio destes olhares]

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