22.9.15

.eu desejo a leveza destes voos rasantes.

os periquitos empoleiram-se nos beirais das janelas, me entoam uma serenata aguda, e eu dentro da gaiola, dentro de mim, observo sorrindo e invejando, me preparo para o banho e para o trabalho. eu quero o esverdeamento vivaz que percorre penas pelo horizonte cinza e azul, sem nuvens. eu quero poder escrever sobre este instante ínfimo enquanto nada ocorreu, nem o despertar, quando ainda é possível o absurdo onírico, quando eu nem me lembro quê, quando ainda não fincou [despertares de infernos mnêmicos], quando a calmaria é muito mais que possibilidade utópica.



[abro a porta do apartamento. um pombo me encara no estreito corredor, como prenúncio. me recordo do rato,  naquela noite de perturbações e felicidades, ele também temia minha presença, não ousamos o embate. tento não avançar muito em semiologias. corro para o elevador.]

Nenhum comentário: