3.7.15

sambinha roto para corações estúpidos

não é para sempre 
que lhe quero
nem só para mim,
não,

desejo-o tão somente
no instante do agora, 
na totalidade dos lençóis manchados
[vinho, sexo & café]

que se houver permanência
seja por desdobramentos,
vitalidades e narrativas trocadas 
sem darmos conta de  sintaxes 
e semânticas 

não te quero de fraque
ou sobrenome contratual
não lhe sonhei 
for-mal-men-te,

denguinho,

o discurso é cínico e sincero,
repito-o diariamente
frente qualquer reflexo
d'esta ausência
d'esta dor,

que não querer-te
no alongamento da eternidade
[romântica, dramática]
não era não desejar-te
em nossos esconderijos
[subterrâneos & submersos
tão mais sólidos que ruínas]

que acreditei na paridade
dos afetos,

ô encanto,

uni as migalhas,
formei massa nova

por que é que tu desligou o forno ainda pré-aquecido?

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