2.7.15

[ toada nº 01 para afastar as tuas algemas ]

que a palavra tem de ser estaca de luta,
navalha recém-amolada 
contra teus golpes, 
Ô sinhô!

tem de ser precisa, ágil
boemia pr' acompanhar
teus tropeços de madrugada rasteira,

a palavra tem de ser mais 
que o próprio palavrear,

tem de ser rizoma 
fora dos punhos do teu capataz,
se alastrar por entre o solo incinerado,
pôr nova vida, ser telúrica
e te atingir de supetão
- já que surpresinhas é o que tu gosta-

a palavra tem de ser 
o escudo do menino
- aquele mesmo que tu quer encarcerar -

Aguarde,
que nossas múltiplas bocas,
Ô sinhozinho,

nossa língua
preta & pobre,

nossa fome 
polifônica & seca

hão de arrebentar
estes grilhões.

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