22.6.15

Não é verdade, Manoel, nem tudo serve à poesia.

Por exemplo, essas migalhas. Soltaria a frase assim, entre garfadas, num tom debochado que quer dizer coisa-outra. É certo seria por afronta, não por credo. Seria clamando pela tremulação do respirar: enverse-me! Como quem espera ser o próprio barro e que dele surja algo menos amorfo. Como quem imagina a doçura bucólica dos olhos do poeta prostrada em sua dor. Como quem aguarda o fiapo da voz, quase cântico: até o teu desguiar desajeitado, até ele é matéria de poesia. 

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