11.6.15

Métier

Essa luz amarelada 
farfalhando a cortina turva
não me diz nada.
Como o vaso chinês,
é só abstração,
momento-torpe,
manhã lânguida,
certa tendência
a romantismos pueris.
Mas não tem balanço
ou parque, 
nem balões
e pezinhos de 
solados grossos,
a sorveteria não abre
às segundas-feiras.
Pra cá do vidro
a tendinite aguarda
com risinho zombeteiro,
papéis acumulam-se
junto a versos
que não constam
no brainstorm,
mais café na máquina,
um pardal não 
distingue seu
reflexo
do bico de
sua amada
e toc-toc
na janela 
da baia ao lado,
imprime,
assina,
protocola,
Ninguém repara
a borboleta
que pousa
no meu beiral. 
Dizem que traz
sorte,
não é?

Nenhum comentário: