24.6.15

Em verdade, em verdade vos digo

Era uma barata cascuda que eu aguardava naquelas noites abafadas e poluídas do centro da cidade. Eu já antevia seu voo rasante, o som da hélice cortando a lentidão do cômodo; minhas orelhas em estado de prontidão - como Samantha, a fox paulistinha que ficou quinze anos na família - na cabeça duzentosmilpensamentos, obviamente nenhum pragmático; ah, subjetividades, ah, literatura, ah, poética, praguejaria quarto afora. De que me servem versos frente a espreita do inseto? E nessa questão, pelo espelho do banheiro - mão esquerda ao alto, cênica e dramática - veria refletidos os volumes completos de Manoel de Barros e Ana Cristina César. 


[mais certeiros que meus sapatos]  

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