12.5.15

[Os dedos são signo; o infiltramento de seus rizomas: todo significado.]

De tantas falácias, o maior simulacro é quando tentam nos convencer: vão-se os anéis, ficam os dedos.  Não se engane, os dedos sempre se vão, camará. Os anéis estancam-se, mesmo quando não, mesmo se arrancados - num gatilho, espasmo ou distração - tétano que se prolonga para além da matéria - imiscuir-se do capital. Os dedos, no entanto, são coisa outra, amontoamento de subjetividades que flui, que pouco-a-pouco nos é saqueada, escapa tanto à maquina quanto ao corpo.

São a sustentação da carcaça que mendiga nas sarjetas. Tremulação do pavor que seca o suor do assalto. A intimidade da pele densa d'outro apreendida sob as unhas, por-entre a porosidade. Nosso carimbo-burocrático, afirmação de unicidade identitária.  O dedilhar que verte a angústia mascarada. A vadiagem que entremeia corpo, terra e orixás. São a própria prece ocultada no correr do rosário. Ferramenta em riste: punição, flagelo, carícia, tabaco. Os dedos deixam de ser-se ao primeiro contato, entregam fragmentos, debandam a cada troca,  ainda que simbólicas. são miragens de outros desertos. 

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