21.4.15

Endecha

O cortejo é autocêntrico e autofágico.

Eu já nem me lembro direito os porquês que me arrastaram até aqui. Há um fio de rememoração que se filia ao lirismo mais fantasioso, não desprende, é fagulha em cigarro tornado guimba - que sempre há crença num resquício de tabaco.

O cortejo segue, arrastado, tautológico.

Um violino inaudível dá o tom para o ballet descalço que inventei entre o mel, o alho e a água fervendo pr'um chá. Nossos demônios me acompanham, conto-lhes destes dias desérticos,  duma falta torta. verborragizo, que é gramática única de minha existência. mas, eles não me negam, se comunicam, puxam meus braços e meus panos, compreendem minha semântica.

- i'm so easy, dear. / that's the problem, am i right? -

Estrangeirizo, como se no desterro do idioma pudesse vir um eco que desse realidade a este fluxo sem território.

O cortejo é incansável, sua cântaros, falha o passo, mas não esgota.

A madrugada mal se esparramou sobre o carpete, mas eu a sinto toda posta neste corpo que também não cessa, não põe basta à cerimônia.

Que na rotação o ermo preenche com farfalhar estes pijamas.

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