9.4.15

cubro a falta com a tolice do palavreado

eu ia mesmo lhe dizer: quer conhecer minha casa? quer me conhecer? perscrutar minhas reentrâncias, como houvesse algo além do tudo que mostro, desta abertura. mas, a fala esmoreceu, calei o impulso. apenas desembaracei os nós para que não tivesse ruídos, caso entendesse, no meu silenciar, estes convites todos, para que teus dedos escorressem livres pelo barbante ao qual me enlaço.

há aquele tipo de música inaudível no percurso, dessas que só certos animais ouvem - e certas pessoas, as que se enamoram irrefutavelmente por sereias - é engodo, que eu chamo de pequena esperança; é feitiço, que ainda não acertei o tom, há um modo certo, uma fonologia que ainda não apreendi. é nisso que apoio estes ermos doloridos, no meu desajeito. sobrevivo nas evocações, deixo que teias mnêmicas enterneçam minhas angústias.


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