19.3.15

[territorializando I]

Sei da alteridade quando num choro convulso, que no intento de ser comedido acentua sua dramaticidade, o cobrador me sorri com ternura. Seu gesto, quase imperceptível , foi de quem não conteve o espasmo, de quem parece enlaçar todo sofrimento às dezoito horas.

Sei da sororidade numa troca sutil de olhares cúmplices, um simples mover de cabelos na qual me rememoro e me reconheço. Como toda luta, para rasgar a rigidez dos padrões estéticos, se mostrasse nestes cruzamentos cotidianos.

Sei dos afetos de alegria no riso largado - às vezes histérico - de quem partilha os percalços e sabe ironizar a dor. De quem me estende a taça num brinde do instante que é o encontro, o estar frente a estes que nos mostramos com todas as máscaras, sem ter de se ocultar atrás de uma que não lhe sirva bem.

Sei do amor nestas brevidades e busco nelas um modo de fincar bandeira.


  

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