23.1.15

Nota # 47

Não me importo com o papel em que me coloquei, gosto da poltrona felpuda do coadjuvantismo; estouro a  pipoca, derramo azeite extra-virgem, um punhado de manjericão desidratado e me ponho a assistir os geniais, vocês que caminham soltos entre a pop-art, intelectualidade e certo kitsch, tudo que me atrai os olhos e a atenção. Quisera eu, mas sou truncada, não fluo, fico presa em grilhões do que não sei se sou e fragmentos de tudo que admiro.

Em um post antigo - mas nem tanto - leio-me "não existe farsa se tudo é construção", ainda acho, mas penso que veste melhor nos outros, para mim tudo é incômodo, como se do alto, num jogo simples de dedos, um peteleco me arrancasse a máscara. Não quero saber o que há embaixo, talvez outra menor, como na sucessão de caixas onde não há um presente no final. A pegadinha é não ser além da argila ou gesso, é fincar-se na porcelana.

Eu fico, então, a assistir e me deleito em vossas mentes, percorro escritos, falas, rastros, chafurdo nessa admiração sem fim. A poeta - sim, eu recorro sempre ao mesmo álibi - sentenciou: 'me alimento dos outros e minha poesia passa por ali também' - or something like that - o que me dá margem para por uma máscara a mais e outra, me agarro nisso, com a mesma fé que minha vó entrelaça os dedos no rosário, que venham as bençãos, ou um pouco mais de meus amados.

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