3.12.14

Correio # 03

Há um adjetivo o qual não sei nomear e na teimosia de clamar-lhe empresto algo profundamente meu; a submissão. Embora não seja propriamente isso não estou chamando pato de porteira, há uma aproximação no sentir dado; este, cujas definições me escapam, encontra-se no campo da admiração, que é onde minhas relações mais profundas se estabelecem. Não é um optar, nem possui ligação com um conjunto de qualidades socialmente acordado que alguém precisa adquirir para ser admirado, parte de uma subjetividade puramente minha, o despertar que este outro provoca em mim, deslocando pulsões adormecidas para um lugar de vida. É neste movimento alumbrado que me coloco em uma posição de curvatura, como quem honra a passagem do rei e pede tão somente beijar-lhe os anéis, as penas da escrita ou mesmo lamber-lhe a ferida para embebedar-se de seu amargor.  Este impulso passional muito assemelhado ao campo das obsessões nada espelham de seu caráter doentio, tudo não passa de uma intensidade da palavra, de quem sentiu o óleo reavivando o motor enferrujado mas não sabe direito como sair da primeira marcha, é como arroubo de fé em cabra cansado de crer.

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