22.11.14

Insône

Daqui do alto avisto a caneca no criado-mudo, o chá - normalmente puro, hoje adocicado - já está morno, mas ainda beberico em momentos aleatórios pensando a cada gole que bem poderia estar quente, a madrugada é mormaço, um passarinho cantava lá fora perdido nas luzes artificiais da cidade, mais um gole, a tevê resmunga um programa besta que gosto, ele está em silêncio, mais um gole, de tudo que poderia ser dito fica a lágrima engolida num gole morno do chá adocicado, na caneca o cronópio me olha em imensidão, o coração pende à calmaria, bem que o açúcar hoje podia ser refinado.

Um comentário:

Alessandra Noronha disse...

gostei muito.