27.10.14

Pós-urna

É possível agora
voltar-se à poesia?
Sem despistar da luta
ou cair em alienismos,
Retornar à arte-ato,
Perfazer os 'asfaltismos'
Que a cidade nos impõe,
Deixar certa angústia
ser tomada de lirismo.

É possível agora 
a cotovia?
Uma ária solta 
entre as folhagens,
Um respiro da gastrite
O soco desfeito por carícias.

É possível um agora?
É possível alteridade?
É possível uma cantiga?

Que não te faça ninar
Mas expurgue para vida.

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