10.10.14

Nota # 45

Dos não-lugares onde mais se dão encontros desconfortáveis creio que o elevador está no número um da opinião popular - dizem as pesquisas - e eu, que não sou estatística alguma, ainda assim, hei de concordar. Lá está você, amanhecida no meio de uma semana puxada, decidiu que era um bom dia para deixa pra lá quaisquer maquiagens, se atendo apenas ao básico da higiene - que nem mamãe ensinou, e ainda hoje se bobear reitera, como se não fizessem 20 anos que você era uma pirralha - e, então, nestas condições entra seu Mario, D. Dirce ou outro nome que caiba e que nós não sabemos, mas ornam bem com a categoria vizinho. Lá vem o sorrisinho sem graça seu, que nem sempre é retribuído, e a vontade de se camuflar na estampa verde-bebê do elevador; lá vem o tempo, que o calor, que o frio, que são paulo, o barulho da praça, a juventude - que você também faz parte - os segundos mais longos da sua vida, o térreo nunca tão esperado, você-abrindo-a-porta-enquanto-tentam-abrir, a do elevador, a do meio, a da frente, e, por fim, a lufada que lhes beija os rostos e redime as vergonhas.

Bom dia.

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