7.9.14

Nota # 34

Ela diz em tom de elegia, mas era para ser en-canto. Troca os fatos pelos não acontecimentos como quem cansa da estante no quarto, num súbito arroubo de feng-shui na madrugada. Não há brigas passionais ou choro raivoso que remedie, é assim, constatado no caráter, que não é mau, só uma confusão ziguezagueando volta-e-meia para fora da tua estrada; o choque do encontro na curva é a pulsão que alimenta o vício, que te faz esquecer que ao virar cadê? Ela diz olhando de soslaio e você acredita irrefutavelmente, camarada, até o embrulhar do estomago no tardar das horas, naquele pedaço de pizza que seria compartilhado, na caneca comprada a dois que ficou sem par, mal se lembra da outra metade desenhada, nega a memória afetiva e o próprio ser afetado, mas basta uma nota distante e a roda a girar. Ela diz em tom de ária, meu amigo, mas o grito mudo é o teu solfejar.

Nenhum comentário: