18.9.14

Confessionário | ATO IV

Certa poeta disse em uma entrevista que se alimenta profundamente do outro, e nisto sua poesia ganha alargamento. É bem óbvio, nos alimentamos de nossas referências, mastigamos cada palavra na expectativa de absorver os âmagos. Em mim isso sempre se revelou com determinados escritores onde o fluxo de consciência desvia-se por curvas estranhas, não necessariamente sombrias, mas inquietas, é isso, a inquietude dos pensamentos posta no papel, a verve na carne exposta em sentimentos simplórios até, mas ali desajeitados sobre à mesa para degustação do passante. Com isso quero dizer que vocês comovem como os autores de meu altar, cada frase emitida chega como corda envolvendo o estômago, esmagando as tripas para escoar todo sal, baixar a pressão, a temperatura, colocar-me em ponto de êxtase e repouso, deixam-me aberta e diminuta em admiração, alimentam minha fome desértica, estimulam neologismos apenas para tecer todos os elogios que o vocábulo não alcança. Assim, hiperbólica, dramática, insaciável.




Nenhum comentário: