15.9.14

Confessionário | ATO III

Sempre fui e me vi sendo pautada extremamente pelas subjetividades, e com isso quero dizer que fluo por fios que conduzem a lugares que não sei como acessar quando estou focada em ser objetiva. Sempre li muito, escrevia ainda mais, inventava brincadeiras e jogos acompanhada de fartas doses de ansiedade e angustias com acessos de felicidade eufórica, um destemperamento doido, mas que ornava em suas singularidades. Não me lembro bem quando o trem despontou para o descarrilhamento, mas fixo na memória está aquele dia em que o trilho todo se perdeu. A sensação exata, embora repetida em dimensões diversas mais tarde, nunca fora como naquela tarde de horror, um horror sensorial e solitário, a subjetividade tão característica rejeitando meu corpo depois de 23 anos. Desde então flutuo entre momentos de devoção apaixonada a tudo isso que forma o único eu no qual me reconheço, e de objetividade forçada, tentando manter a razão, essa totalitária que hoje rege meus descontroles. Num cochicho confesso ao leitor que já dei corpo a essa racionalidade, seu rosto é turvo, mas o dedo sempre em riste.

2 comentários:

Híndira H disse...

"Fiz meu berço na viração
Eu só descanso na tempestade
Só adormeço no furacão"

http://www.youtube.com/watch?v=vesoCfTSXhk

Daisy Serena disse...

Ontem mesmo ouvi essa, estava em algum texto seu.

Tom Zé sabe dos paranauê.