20.8.14

Nota # 31

Na semana passada ela parecia uma louca, escrevendo em qualquer guardanapo, post-it, e mais raramente do que devia, no caderno. Escrevia como se houvesse a urgência de que tudo fosse dito dentro daquele prazo previsto, tudo que viesse; registros confessionais, poemas submissos, libertadores, sujos, pequenas prosas cotidianas de quem alimenta a própria dor só para ter conteúdo na escrita. Mas, logo o tique-taque do domingo para a nova segunda se deu e nada, nem uma junção porcamente posta, a cabeça flutuando no ar poluído da cidade e nada, a vida se arrastando no metálico bate-cartão e nada, a caneta suando entre os dedos e nada, as narinas ressecadas e nada, e nada, e nada, e nada...

De tanto ermo refez-se a palavra.

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