13.8.14

Nota # 27

Fatigados seguimos, os pés arrastam-se lentamente na peregrinação cega. A coragem sorridente tantas vezes evidenciada pelos lábios, hoje acompanha-os em uma linha horizontal sem espasmos de euforia. Seguimos, e no asfalto esburacado percebemos a nossa tendência à mártir, os pés sem solados deixam as marcas pelo caminho, feito maria para não se perder, feito tantas marias que carregam inerentes o sofrer, como se viesse agarrado ao nome e lhe fosse um cumprir de vida, como no trecho daquele livro que não li, mas diz-se, "é preciso sofrer até o sangue", mas não nos conta o que ocorre depois da abertura. Ainda assim seguimos, colecionando desejos que nos impulsionem para onde a bússola não é capaz de apontar, procurando no ordinário algo que nos irradie vida, para que possamos cessar a repetição de frases clichês, para que a peregrinação deixe-se ser apenas travessia.

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