26.8.14

Confessionário | ATO I

No ato de firmar-me neste momento de mudanças esqueço que não há mais chão, o taco solto já é passado e o novo piso todavia não chegou. Encontro-me neste instante em suspenso que é presente, nisso que se dá agora conforme a redundância, eu que sorvo ansiedade como quem se embebeda de si mesmo, que só sei sobreviver cambaleando em meu excesso de futuro. Estou aqui, inundada de um hoje que escorre entre os dedos finos de unhas por fazer, estou aqui, eu me vejo refletida na caneca imunda, na colher com restos de café e nata, na tela do computador desligado, no vidro que me separa do resto do escritório, no espelho de cantos carcomidos do banheiro, na poça d'água além do portão, eu me vejo em mim, completa em minhas fragmentações, pairando na espera do próximo ato de vida. 

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