31.7.14

Nota # 21

Se eu pudesse lhe dizer qualquer coisa e que isso não afetasse esse teu jeito de me olhar, assim, como quem olha de soslaio, com esse sorriso que invade o todo, invade a mim, eu diria que talvez eu não seja tão boa, que nem todo dia eu tenho paciência com o amável, amado, que me irrito com o jeito de abrir e fechar a porta, que me irrito com quem a abre e fecha, que queria que fosse só a tua mão a girar a chave, porque pra você eu guardo meu sorriso, mesmo que seja o único do dia, num escape de farsa. Eu ainda diria mais, que mesmo que eu tenha de um tudo tentado, talvez eu tivesse um pedaço maior para empurrar pela goela, mas a verdade é que eu não quis, eu cansei antes do prazo, e a culpa que me assola, e que repetimos tanta vezes sob o cobertor rasgado não ser minha, talvez seja um pouco sim. E às vezes dá azia, sinto que se olhasse para dentro as rusgas engoliriam minha visão, eu correria feito galinha sem pescoço, a última pulsão antes de sucumbir e renascer num papel novo. Mas eu não olho, eu temo, meu amor, eu temo e estou cansada demais, e volto a não me importar, assumo o caráter blasé que tanto critico. Talvez eu não seja tão boa assim.

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