31.7.14

Nota # 20

Não há verve, às vezes é só uma vontade descabida de dizer algo, qualquer coisa, comunicar-me com você aí do outro lado, que flutua entre os rostos de meus amados conforme a pulsão que emana. Por isso, nestes momentos não há pretensões líricas, a consciência verborrágica age pelos dedos apressados, da máquina, do individuo, de quem está acostumado com o ofício mecânico, de quem é enamorado pelo escorrer da caneta com excesso de tinta, que borra a palma da mão canhota, que só precisa regurgitar a pressa de dizer, expor o excesso de palavras colocadas lado a lado randomicamente e que o receptor lhe dê o sentido que couber, faça caber, se adeque no hermético alheio, infiltre-se pela fenda que se dá no afeto, eu me abro.


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