28.7.14

Nota # 17

É como se ela tivesse gasto toda palavra.

Ficou ali, papel pardo e caneta nos dedos trêmulos, segurando o movimento já íntimo de sujar a bochecha da mão esquerda enquanto escrevia com urgência. Durante o ato sempre tinha a sensação de um amontoado de frases desconexas, mas que ao final se desdobravam em algum sentido, como para dar-lhe redenção, uma breve pausa no descontrole. Só que hoje nada, nem uma sílaba para formar coisa qualquer, que fosse hermética, signo sem semiótica possível, mas que impedisse a queda no hiato a virar a esquina, prestes a bater-lhe à porta, que sempre desavisada atende com sorriso largo, xícara de café quente na mão e um beijo de lábios pintados.

Depois, o silêncio.

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