24.7.14

Nota # 15

A pior das solidões está no esforço sincero, mas exaustivo, de tentar até o sangue a paridade nos afetos. Desdobra-se para ser-se e ao mesmo tempo escorrer um sorriso, uma palavra, uma pulsão que faça o outro te acolher numa resposta afetuosa, ou que não venha, ao menos, em rejeição. É um ato de humilhação, um movimento de mártir que ninguém pediu e ninguém quer que você faça, mas lá está o dorso curvado num pedido silencioso, de quem mendiga um olhar sem opacidade, de quem estende o corpo inteiro esperando só a ponta dos dedos, que lhe toquem qualquer parte, seja o fio do cabelo quebrado em duas pontas, seja isso que antecede o próprio eu.

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