22.7.14

Nota # 13

O esgotamento urbano se concretiza nas narinas que noite-após-noite clamam por uma lavagem que desfaça toda poluição, que sejam mucosa e nada mais. Na cabeça que adoece estafada pelos pés que correm como se curupira. Nos olhos semi-cerrados constantemente, nas mãos suadas de secura, de frio, de pânico.  É fácil esgotar-se neste caos, sua gênese é parasitar-nos, é quase um clichê que tenhamos o ímpeto da fuga. Mas, na mesma dimensão que nos regurgita também nos atrai, feito imã e paixão, escapamos para o bucólico por uma dose única e prolongada de silêncio, para sentir o cheiro dos matos e das gotas que se escondem em cada pétala, e é isso. Logo queremos estar entre a multidão desconhecida mesmo que no pavor do toque, desejamos a mescla de sons e timbres, da voz, da vitrola, do mp3 do menino e das buzinas que prenunciam a volta do cotidiano, mecânico, condutor.

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