21.7.14

Nota # 11

É egoísmo, eu sei. Estou aqui no meio de uma tarde abarrotada de trabalho, com uma café bem mais fraco do que eu gostaria e esse leite quase sem lactose, porque agora virei essa coisinha filhadaputa que não aguenta ao menos uma xícara de café preto sem uma semana inteira de gastrite como resultado. Dizem que é a idade, mas bem verdade que estou na faixa em que todo mundo está tacando o foda-se e curtindo a vida até a última essência. Fazendo do âmago o todo. E eu aqui, medíocre, lutando no cotidiano contra fantasmas que brotam de mim, como se o terror ganhasse corpus em meu nome. É egoísmo, repito, diante da imensidão - em quantidade e qualidade - de dores, medos, sadismos, horrores que a cada atualização é escancarada em meus olhos. Eu, diminuta, me coloco em um primeiro plano cínico, a marcação não é minha, mas faço caber mesmo desengonçada, me meto numa busca desesperada por um canto que seja só para mim, uma busca egocêntrica de serenidade, que de tanto dizer esvaiu-se o sentido, uma busca autopunitiva na escrita e na lágrima que repousa sob a bolsa dos olhos cansados.

- Coloca um sachê de camomila que passa.

Tudo.


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