11.7.14

Nota # 06

Para ansiosos extremos qualquer passeio no parque pode tornar-se uma experiência de horror. Basta aquele clique subjetivo de perigo, um passo mal interpretado pelo corpo e o próximo a ser dado já é uma luta. É costumeiro, assim, o medo que antecede acontecimentos simples, como buscar pão em uma padaria nova, para aliviar busca-se fazer as coisas do modo mais familiar possível, identificar no estranho ordinário algo que seja seu.

Por isso, é uma grande surpresa quando a certeza do terrível se esvai. Como se uma dose de imortalidade lhe tivesse pingado por conta-gotas, um sopro efêmero, mas longo o bastante para formar um sentimento paradoxal de paz egocêntrica e uma partilha de vida. 

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