25.6.14

Nota # 03

Lia novamente o livro de correspondências daquela autora que tanto se identificava. Cartas de seres 'excessivamente sensíveis' conforme uma, cartas de seres já idos, mas que no registro ganhavam outras vidas - muito mais que sete. Subia tropeçando a calçada desregular de um dos bairros mais garbosos, o que poderia ser uma incoerência, mas não, já que os moradores costumam sair em seus carros importados e não a pé. Todo dia fazia esse mesmo percurso e todo dia lendo algumas páginas, que apesar dos olhos percorrerem sempre curiosos o caminho cotidiano, a travessia muda às vezes lhe despertava fantasmas ansiosos. Neste dia, de algumas melancolias e abarrotamento de inquietudes, as palavras dançavam com a luz entrecortada pelas folhas do começo de inverno, as palavras ora se faziam verão, as palavras ora aquecidas, aqueciam... aquele instante em suspenso a ser carregado para o arrastar do dia.

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