12.9.12

Microcosmo de solidão

Estavam só os dois na sala em um começo de semana que não começava nunca, o tempo oscilava entre o mormaço insuportável e uma brisa que só ameaçava refrescar o dia. Não se olhavam, nem de soslaio, era uma indiferença reciproca mesmo estando assim, uma mesa colada à outra, de modo que quase podiam sentir o cheiro morno e denso da respiração um do outro. De qualquer forma, nada disso importava, bastava que seguissem digitando rapidamente os relatórios que precisavam entregar em algum momento da semana. Bastava o tectectec dos teclados como relação social, como preenchimento de uma solidão corporativa que se extendia para o cansaço levado pra casa; que não se esvaia nem com o beijo de janta da mulher que um dia ele se soube apaixonado, nem com aquela mão pequenina que apertava, acompanhada de uma risinho mudo,  a veia pulsante de um braço, que um dia tantos abraços, que um dia...

2 comentários:

Everton disse...
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Thiago Assis disse...

O maquinário do cotidiano é o que há.